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RELATÓRIO |
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Em julho de 2001, na primeira fase, a equipe do projeto
realizou a prospecção e a exploração
de cavidades no entorno do Juvenal. Foi uma tentativa
de descobrir novos acessos ao interior do abismo. Esse
trabalho não alcançou o objetivo, mas
resultou na descoberta de três novos abismos,
mapeados e cadastrados pela equipe do projeto.
No interior de dois dos novos abismos, foram descobertos
fósseis, que se tornaram objeto de interesse
de paleontólogos.
Na seqüência de atividades, a equipe do Projeto
Juvenal iniciou as explorações dentro
do abismo com o objetivo de desvendar a parte desconhecida
do alto da galeria principal.
Desde a década de 70, quando o abismo do Juvenal
foi descoberto, explorado e mapeado, o alto da galeria
principal se manteve como um mistério. Pode-se
caminhar pelo piso da galeria até um ponto onde
ela torna-se totalmente vertical, se apresentando como
uma enorme parede. Da base desta parede observa-se o
teto a dezenas de metros acima, porém, é
impossível avistar a ligação da
parede com o teto, dando ampla impressão de continuidade.
O Potencial de prosseguimento dessa grande galeria
gerou sempre curiosidade daqueles que exploraram o abismo,
ficando ainda apontado como pendência nos mapas
anteriores.
A imaginação de uma continuação
da caverna levando a novos condutos, galerias, salões
e até possíveis ligações
à outras cavernas da região seduz e atrai
os espeleólogos que vêem os mapas anteriores
ou que passam pelo local, mas transpor o lances verticais
em questão se apresenta igualmente desafiante
e assombroso.
A única maneira de transpor este obstáculo
foi mesmo através das técnicas de escalada,
mas para tal, foi necessário muita dedicação,
preparo e esforço.
No trabalho de reconhecimento das áreas do abismo,
a equipe descobriu uma fenda paralela a galeria principal
que se mostrou uma alternativa para alcançar
o alto daquela parte da caverna. Esse contudo vertical,
batizado de "Fenda Vanderlei Moura", teve
os seus quinze metros de altura escalados, e no ponto
mais alto foram descobertas duas fendas muito estreitas
por onde só passa a água.
O alto da galeria principal se manteve como um mistério,
exigindo uma nova estratégia para desvendá-lo,
mas que teria que aguardar a segunda fase do projeto.
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Exploração
de buracos na mata. |
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Dois
dias de explorações na mata. |
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Fóssil
de uma preguiça gigante enontrado no fundo do abismo
Gêmeo. |
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Exploração
de uma nova caverna. |
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Alvo
da exploração dentro do Juvenal. |
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Em agosto de 2004, na segunda fase, o Projeto Juvenal
deu início ao cronograma de atividades com o trabalho
de auxílio na pesquisa e retirada dos fósseis
do Abismo Gêmeo, descoberto na primeira fase do
projeto. Tratou-se de um projeto científico do
Museu de Zoologia da USP, patrocinado pela FAPESP, e que
contou com a parceria do Projeto Juvenal de Exploração
de Cavernas.
Concluídos os trabalhos com os paleontólogos,
a equipe do projeto reiniciou as explorações
dentro do Abismo do Juvenal, retomando o objetivo de explorar
o alto da galeria principal.
Na primeira fase, a equipe havia investido na Fenda Vanderlei
Moura que, infelizmente, só alcançou quinze
metros. Na nova fase, a equipe decidiu escalar a parede
da galeria principal. Pelo grau de dificuldade, a escalada
foi iniciada com técnicas artificiais, ou seja,
a ascensão foi feita através de equipamentos.
Parafusos de aço foram instalados na parede para
servirem de apoio ao explorador. A rocha foi perfurada
manualmente, e os parafusos instalados a golpes de martelo.
Durante o desenvolvimento da segunda fase, a empresa Bosch
cedeu um martelo de perfuração a bateria
(furadeira profissional) que otimizou o trabalho de escalada.
Uma corda de escalada e buchas de metal (spits) foram
utilizadas para proporcionar a segurança durante
a ascensão dos exploradores, impedindo ou controlando
eventuais quedas.
Foram três incursões e o total de dez horas
de escalada para alcançar aproximadamente quinze
metros de altura. Nesse ponto encerramos a escalada atendendo
o cronograma da segunda fase do Projeto Juvenal, e vislumbrando
uma condição mais fácil de escalada
para a próxima fase, quando pretendíamos
alcançar o teto.
Para a nossa alegria e entusiasmo, vislumbramos também
um grande buraco no lado esquerdo do teto, aproximadamente
vinte metros acima, e que poderia ser o início
de um grande salão ou simplesmente um contudo que
nos levaria caverna acima. Ficamos ansiosos por iniciar
a terceira fase do projeto.
Durante o desenvolvimento da escalada, o Daniel Menin,
o nosso parceiro de equipe, que aguardava na base da parede,
resolveu explorar as fendas e os vãos entre os
blocos de rocha que formavam o piso da galeria principal,
e acabou por descobrir um novo salão. A princípio
este salão apresentava-se com um alto potencial
de prosseguimento, uma vez que tinha um desenvolvimento
lateral, como que se contornasse a parede de blocos por
baixo e pelo lado. Explorado e topografado, o salão
acaba em uma estreita fenda onde além de formações
minerais (escorrimento de calcita) e muita argila, foi
encontrada uma ossada de morcego. Esta nova área
apresenta-se também como bastante irregular e instável,
o que dificultou os trabalhos de exploração
ou a utilização de qualquer técnica
de desobstrução.
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Na
retirada do material fóssil do abismo Gêmeo,
o Projeto Juvenal foi o responsável pelos sistemas
de descida e subida de cargas e pessoas. |
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Início
da escalada na galeria principal. |
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Veja
as técnicas utilizadas na escalada. |
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Dois
metros acima a equipe interrompe a escalada vislumbrando as
condições da próxima fase. |
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Veja
as áreas de exploração |
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Em agosto de 2005 a equipe do Projeto Juvenal reiniciou
a escalada no alto da galeria principal, mas dessa vez
com a participação de um escalador experiente,
o Gustavo Mendes, que utilizando técnicas de
escalada livre, ou seja, progressão feita com
apoios naturais, mãos e pés, subiu uma
altura quase três vezes maior do que a alcançada
na fase anterior.
O que tínhamos vislumbrado da parede na fase
anterior, parecia ser uma situação fácil
de subida, em um trecho aparentemente menos inclinado,
e que com pouco esforço nos levaria até
o alto da galeria, e de lá, até o grande
buraco no teto que se apresentava como a provável
continuação da caverna. Porém,
na retomada da escalada, após os cinco primeiros
metros de subida, o Gustavo descobriu que as dificuldades
da parede eram muito maiores do que havíamos
percebido. A parede verticalizou, e a sua superfície
estava recoberta de argila e pedras soltas, e as partes
de rocha eram de grandes blocos fraturados e de aparência
instável. Essa situação pegou a
equipe de surpresa e gerou uma situação
perigosa, em que a terra e as pedras deslocadas caiam
em cima do parceiro de escalada, que estava em um platô
a quinze metros de altura do chão, e que era
responsável pela segurança de quem subia.
A segurança da escalada foi prejudicada pelo
fato de não haver uma superfície adequada
para instalar os equipamentos de segurança (spit,
costura e corda), obrigando o Gustavo a subir quase
vinte metros antes de conseguir colocar o grampo (spit)
onde pôde fazer a parada e armar a sua segurança.
Nesse ponto descobrimos que o grande buraco era na verdade
a continuidade da galeria principal, chegando como um
grande conduto vertical.
Na seqüência da escalada o Gustavo, ainda
utilizando técnicas de escalada livre, alcançou
o novo conduto, tendo que enfrentar as mesmas condições
perigosas do trecho anterior. Após o Gustavo
instalar um grampo (spit) e fixar a corda, demos por
terminada aquela etapa da escalada, deixando para continuá-la
na incursão seguinte.
Pela descrição
dele parecíamos ter chegado próximo ao
final do conduto, mas, só poderíamos ter
certeza disso na próxima investida.
Na segunda incursão
de exploração, subimos até o ponto
onde a escalada havia chegado anterior, e descobrimos
que poucos metros acima a galeria estava entupida de
blocos e argila. Atrás de nós, e um pouco
acima de onde estávamos, havia uma abertura que
parecia ser o início de uma nova galeria. O Gustavo,
contornando pelas paredes, em duas travessias horizontais
de escalada, chegou até essa suposta galeria,
e descobriu que se tratava apenas de um "arco",
ligado a galeria principal, como uma ponte entre as
paredes.
Na incursão seguinte subimos com uma equipe para
fazer as medições e produzir o mapa das
novas áreas da caverna, e com isso, demos por
terminada essa nova fase de explorações.
Entre as viagens de exploração,
o Projeto Juvenal realizou uma incursão para
o registro jornalístico da caverna e do projeto.
Participaram dessa atividade quatro documentaristas
e quatro espeleólogos. A vídeo-reporter
Renata Falzoni foi acompanhada por dois assistentes,
o Felipe e o Reinaldo, gravando para o programa "Aventuras
com Renata Falzoni" da ESPN Brasil. O fotógrafo
Alexandre Cappi participou da viagem fotografando e
escrevendo para as revistas "Aventura e Ação"
e "Um Universo Masculino".
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Subida
da galeria principal através da corda fixa instalada
na fase anterior. |
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Veja
a ilustração do trecho escalado |
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O
escalador Gustavo Mendes se prepara para a escalada do novo
trecho da parede. |
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Trabalho
de topografia no alto da galeria principal, à 40 metros
de altura. |
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Trabalho
de topografia no alto da galeria principal, à 40 metros
de altura. |
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Renata
Falzoni gravando o programa sobre o Abismo do Juvenal para
a ESPN Brasil. |
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Veja os relatos dos trabalhos anteriores realizados no Abismo do Juvenal:
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