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Primeiro perfil do Abismo do Juvenal

Mapa produzido em 1977.


Texto do C.E.U. descrevento a exploração de 1977

Observação: Nomes de pessoas semelhantes ao do projeto atual são coincidência. A equipe atual nada teve haver com o a exploração descrita no texto abaixo.

Texto extraído do:
"O FÓSFORO"
(informativo do Centro Excursionista Universitário)
nº 2, julho/agosto de 1977

Títuto do artigo: "O Abismo"
Não consta o autor do texto

9 de junho, terceira incursão ao "Abismo do Juvenal" (SP-146): 9 pessoas, 15 escadas, mais de 200 m de cordas, três filmadoras, duas máquinas fotográficas e uma legião de mochilas e sacos de dormir. A equipe: Clayton, Peninha, Hugo, Beck, Thereza, Betinho, Milton, Roberto e Luis.

A primeira expedição ao abismo havia atingido a marca de -85 m (Peninha, Clayton, Burgi, Coriolano e Betinho) usando apenas vinte metros de escadas; isto foi durante a Semana Santa. Três semanas depois a segunda tentativa alcançara o provável fundo do mesmo, a -250 m (Peninha, Clayton, Hugo, Miguel, Eliana, Rosely e Eleonora). Da segunda exploração restara uma grande dúvida: a partir de -100 m, a caverna se abre num amplo abismo cujo fundo não se enxerga. Falou-se que tal abismo teria pelo menos cinquenta metros de desnível. A passagem havia sido feita por uma estreita galeria lateral, abaixo da qual, a -120 m foi encontrada uma ossada quase completa que, unida a outros fósseis achados a -25 m durante a primeira descida faz com que o abismo mereça uma investigação mais cuidadosa no campo paleontológico.

A terceira expedição se propunha a fazer a exploração do "famoso" abismo, descendo ao salão e procurando ultrapassar o fundo; além disso, topografar o abismo e filmar a exploração.

Às 17 horas começamos a descida, bastante demorada devido à grande quantidade de material, o que nos obrigou a fazer várias "formiguinhas". Logo de início: o Beck tinha esquecido seu lampião no rancho e, junto com o Peninha, voltou da boca do abismo para buscá-lo; começaram a descer às 18 horas e encontraram o resto do grupo no primeiro quebra-corpo.

Por volta de meia-noite paramos para comer no ponto onde havia chegado a primeira expedição; 15 metros abaixo, um local mais amplo permitiu deixar todo o material. A partir daí a descida foi muito mais rápida. É exatamente nesse ponto que se abre o "famoso". Enquanto a maior parte do pessoal descia pela passagem conhecida, Beck, Roberto e Peninha desceram de "rapel" o grande salão que na verdade tinha "apenas" trinta metros. Os três conseguiram comunicação oral com o outro grupo embora não tivessem chegado até ele.

Subimos todos e montamos o acampamento a -100 m, estendendo nosso sacos de dormir na argila úmida e gelada, em um terreno inclinado que fez o Luiís acordar dois metros abaixo do local onde havia adormecido. Roberto e Beck subiram para recarregar a bateria e o restante foi dormir: 4 h do dia 10.

Meio-dia, todos acordaram; uma hora, os primeiros começaram a levantar para preparar a comida; quatro horas e recomeçamos a descida. O acordar é um ato estranho, tudo é escuridão, nada se vê, não se sabe se os companheiros estão acordados, ou se ao menos estão ali; você se sente num mundo totalmente diferente; a primeira voz no escuro é alentadora, começa-se a conversar, alguém acende uma lanterna, depois um lampião de carbureto e então parece que tudo volta ao "normal".

Não havia água por perto, o pouco que conseguimos foi obtido deixando-se uma caneca para recolher a água que pingava; a comida nos animou trementamente, dando-nos forças para suportar um pesado dia de exploração, principalmente o chá quente, feito num fogareiro à álcool.

Clayton e Peninha foram pelo "Famoso" e começaram a topografia, os outros foram pela passagem lateral em dois grupos: Hugo e Milton em um e Betinho, Thereza e Luis em outro. O primeiro prosseguiu normalmente mas o segundo teve vários problemas com os lampiões de carbureto e, depois de o Luis ter passado mais de uma hora tentando arrumar seu equipamento, o grupo retornou à base, conversou um pouco e voltou ao conforto dos sacos de dormir.

Às dez da noite a bateria estava de volta e o Luis desceu com o Beck e o Roberto. Cruzaram com Hugo e Milton já de subida e alcançaram Clayton e Peninha lá ambaixo, esperando para filmar. Após várias tomadas foi feita a coloração da água, exatamente às 5:07 horas do dia 11 (não se sabe onde saiu a água corada; na Santana, onde era esperada, não foi vista; pode ter saído durante a noite).

Uma pausa para lanche e troca de carbureto e a volta, com os dois topógrafos subindo na frente para fazer o último trecho e os três repórteres subindo depois, filmando algumas cenas mais e recolhendo escadas e cordas, chegamos à base às 11 h. O Beck foi juntar-se ao sono de Clayton e Pena enquanto que Hugo, Milton, Betinho, Luis e Roberto começavam a subir com boa parte do equipamento; uma hora depois os quatro restantes já estavam de subida, topografando todo o trecho acima do acampamento.

A "formiguinha" foi bem mais eficiente na subida e, às 6 da tarde, após 49 horas de gruta, o primeiro grupo voltava a ver a luz, não do sol, mas da lua. Uma hora depois outra turma chegava, vinda de 252 metros abaixo (e, na primeira excursão, enquanto o pessoal se preparava para descer, o Burgi ainda disse: "Mais um daqueles abismos de vinte metros!").

O acesso ao abismo é feito por uma trilha que sai da Estrada do lageado - a 1,5 km da Apiaí-Iporanga - a mesma que vai para a Gruta Lage Branca (sem entrar na trilha de acesso à mesma, que sai à esquerda) em direção à casa do Sr. Juvenal Ribas; alguns metros antes de se atingir os descampados das roças deles, toma-se à direita por uma trilha que passa a quinze metros da boca do abismo. São cerca de vinte minutos de caminhada fácil, desde a estrada (que pode ser feita em dez minutos sem carga), que permite o acesso de automóveis em períodos não chuvosos.

 


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